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Aurora no Yukon com Traços Estelares

Crédito: Yuichi Takasaka / TWAN / http://www.blue-moon.ca/

Fixa a um tripé, uma câmara fotográfica pode registar os traços graciosos das estrelas à medida que o planeta Terra roda sobre o seu eixo. Mas a altas latitudes durante Março e Abril, pode também capturar uma aurora cintilando durante a noite. De facto, as noites que se seguem ao equinócio, tanto na Primavera como no Outono, oferecem uma estação favorável para os caçadores de auroras. As possibilidades são aqui demonstradas nesta paisagem espantosa e iluminada pela Lua, do território canadiano do Yukon. A imagem foi capturada nas primeiras horas da madrugada de dia 1 de Março, 60 km para sul de Dawson City. Para compôr a imagem, foram combinadas digitalmente muitas exposições curtas para seguir os arcos estelares, incluíndo ao mesmo tempo as cortinas aurorais também conhecidas como auroras boreais.

Pesquisadores do IG atestam que meteorito formou cratera no RS

Confirmação foi feita com base em análise de amostras de rochas

A origem geológica do Cerro do Jarau, localizado no município gaúcho de Quaraí, na fronteira Brasil/Uruguai, é meteorítica, de acordo com evidências identificadas pelo professor Alvaro Crósta e pela geóloga Fernanda Lourenço, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. A confirmação de que se trata de uma cratera formada pelo impacto de um meteorito foi feita com base em evidências de processos de deformações encontradas em amostras de rochas, coletadas em um trabalho de campo e estudadas em laboratório por meio de microscópio. Outras evidências, segundo Crósta, são feições visíveis a olho nu, chamadas de shatter cones. Compostos por estruturas cônicas estriadas, os shatter cones são unicamente formados em crateras de impacto, pela passagem da onda de choque pelas rochas. Imagens de sensoriamento remoto obtidas por satélites também ajudaram a caracterizar essa nova cratera meteorítica.

Crósta explica que o impacto de um meteorito de grandes dimensões libera uma quantidade de energia completamente incomum a qualquer outro tipo de processo geológico existente na Terra. No caso de Cerro do Jarau, estima-se que a quantidade liberada pelo meteorito, que teria entre 600 e 700 metros de diâmetro, tenha sido equivalente a 550 mil bombas atômicas iguais à que destruiu a cidade de Hiroshima no Japão em 1945. O meteorito foi capaz de provocar uma cratera, hoje já parcialmente erodida (chamada de “astroblema”) com cerca de 13,5 quilômetros. “Não há nenhum outro processo que libere tanta energia na superfície da terra como o impacto de um meteorito com essas dimensões. As deformações produzidas nas rochas em decorrência desse tipo de fenômeno são permanentes e servem para diagnosticá-lo. É então com base nelas que podemos dizer: aqui ocorreu um impacto”, explica. A comprovação rendeu a produção de um artigo que deverá compor a próxima edição do livro Large Meteorite Impacts IV a ser lançada, em março, pela Sociedade Geológica da América (GSA).

Muitas vezes, entre a descoberta de uma estrutura que pode ser uma cratera meteorítica e a comprovação segura de sua origem, podem se passar décadas, segundo Crósta. Foi justamente isso que ocorreu com a cratera de Cerro do Jarau, cuja possível origem meteorítica já havia sido aventada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul na década de 1980. Mas ainda não tinham sido encontradas as evidências de deformação por impacto necessárias para a comprovação da origem. O mérito do trabalho realizado pelos pesquisadores da Unicamp no Cerro do Jarau, na opinião do professor, foi conseguir encontrar as feições específicas de uma cratera meteorítica. “Muitas vezes, essas feições são muito difíceis de encontrar, o que torna necessária a análise de uma grande quantidade de material. Existem várias estruturas similares no mundo, que apesar de terem toda a aparência de crateras meteoríticas, não se conseguiu até hoje comprovar a origem”, declara.

Crosta explica que, no caso de crateras meteoríticas mais jovens, existe a possibilidade de se encontrar fragmentos dos meteoritos que as formaram, mas quanto às crateras antigas, a comprovação torna-se mais difícil pelo fato de os meteoritos serem instáveis, do ponto de vista geoquímico, quando expostos às condições vigentes na superfície da Terra. “Quando há fragmentos do meteorito, como no caso da Meteor Crater, no Arizona, formada há apenas 50 mil anos, a comprovação é mais simples e direta, porém, quando não há, vamos atrás dessas evidências indiretas, que são as deformações nas rochas causadas pela liberação dessa enorme quantidade de energia”.

Outro fato importante a respeito de Cerro do Jarau é o fato de ser a terceira cratera brasileira formada em rochas basálticas (vulcânicas) e a quarta no mundo. A análise do processo de formação de crateras meteoríticas em rochas basálticas é importante para as pesquisas sobre a evolução geológica da superfície de outros corpos planetários, tais como a Lua e Marte, onde a presença de rochas basálticas é bastante comum, segundo Crósta. “Como o acesso direto a essas superfícies é difícil, pode-se inferir informações importantes usando as crateras basálticas terrestres como análogos das suas similares lunares ou marcianas”, explica.

Ele explica que são raras as exposições de rochas basálticas em grandes extensões continentais no Planeta Terra. Dentre as maiores exposições desse tipo de rocha encontram-se as da Bacia do Paraná, no Sul do Brasil, e as do Platô de Deccan, na região centro-oeste da Índia, onde também existe uma cratera meteorítica. “Mas esta cratera da Índia, chamada Lonar, é pequena, relativamente jovem, e o seu interior foi preenchido por um lago, o que torna difícil o acesso”, explica.

No Brasil, os basaltos são oriundos das fissuras ocorridas na crosta terrestre, na época da separação entre os continentes africano e sul-americano e a formação do Oceano Atlântico, segundo o professor. Eles teriam se espalhado na superfície e formaram camadas muito espessas. “Em alguns locais da Bacia do Paraná, as camadas de basalto chegam a mais de 2 quilômetros de espessura.” Quando houve a separação entre os continentes, uma parte dessa província basáltica ficou na África, e a outra ficou na América do Sul, contudo, não se conhece nenhuma cratera meteorítica na região basáltica da África.

Encontro

Tantas descobertas levam pesquisadores brasileiros a dar passos importantes no sentido de conhecer melhor as crateras do país. Uma das iniciativas foi propor uma sessão sobre crateras em basaltos num grande encontro internacional da União Geofísica Americana (AGU) que será realizada em Foz do Iguaçu em agosto deste ano. “Já recebemos contato de especialistas internacionais em planetologia comparada, grupos que estudam as crateras em outros planetas, e outros que vêm estudando essa cratera da Índia. Após o evento, faremos uma viagem de campo para levá-los a conhecer duas das crateras basálticas brasileiras: Vista Alegre, no Paraná, e Vargeão, em Santa Catarina, informa.

No Brasil, não há nenhuma cratera meteorítica suficientemente grande para provocar um evento de extinção em massa da vida. De todo modo, é possível que as crateras brasileiras tenham produzido efeitos regionais com relação à extinção de formas de vida existentes à época do impacto.

Uma das crateras mais interessantes desse ponto de vista está localizada na divisa de Mato Grosso e Goiás. Trata-se da cratera de Araguainha, a maior da América do Sul, e também a primeira a ser estudada por Crósta em sua dissertação de mestrado, na década de 1970. Com 40 quilômetros de diâmetro, ela já possui uma dimensão suficiente para ter produzido efeitos consideráveis sobre as formas de vida então existentes. Uma relação que desperta o interesse científico pelo impacto que formou essa cratera é o fato de sua idade, determinada em 245 milhões de anos, ser bastante próxima do maior evento de extinção em massa ocorrido na Terra, o do Permiano-Triássico.

Ocorrido no final do Paleozóico, há aproximadamente 250 milhões de anos, esse evento foi responsável pela extinção de 80% das formas de vida, e os cientistas vêm buscando uma causa para essa extinção. Embora não haja possibilidade do impacto que formou Araguainha ser o único responsável por uma extinção de tal magnitude, a proximidade das idades é importante por poder sugerir uma associação entre os diferentes eventos. “Araguainha é a única cratera brasileira que tem uma idade precisa, obtida por métodos isotópicos de datação geocronológica”, explica o professor. As outras cinco crateras brasileiras têm de 9 a 13 quilômetros e não teriam capacidade de produzir efeitos globais, mas sim regionais.

Quebra-cabeça

Durante algum tempo, os cientistas suspeitavam da ligação entre impactos meteoríticos e a extinção de formas de vida, mas há cerca de 15 anos, a comprovação dessa relação em pelos menos um desses eventos de extinção foi feita com a descoberta da cratera de Chicxulub, no Golfo do México. A idade dessa cratera é de 65 milhões de anos, exatamente a mesma da grande extinção que eliminou da Terra, entre outras formas de vida, os dinossauros. Crósta explica que, nessa época, mais de 60% de todas as formas de vida da Terra desapareceram. “Este evento de extinção parece ter ocorrido em um intervalo de tempo relativamente curto, o que não é condizente com os demais processos geológicos comuns na superfície da Terra”, explica.

Para o professor, que contribuiu diretamente para a comprovação da origem de quatro das seis crateras existentes no Brasil, todas elas, independentemente do tamanho, são importantes para montar o quebra-cabeça da história da evolução do nosso planeta. Ele acrescenta que o processo de formação de crateras, que poucas décadas atrás não era considerado importante, hoje é considerado fundamental na evolução da superfície de todos os corpos planetários sólidos. “A diferença é que a Terra é geologicamente mais ativa quando comparada a outros planetas, como Marte e Vênus, que são repletos de crateras. A atividade geológica promove, com o passar do tempo, a destruição das crateras terrestres”, diz Crósta.

As poucas crateras que restaram são importantes, pois representam o registro parcial do que ocorreu na Terra, segundo o professor. “Elas são amostras que utilizamos para analisar a evolução da superfície do nosso planeta”.

Recursos minerais e interesse econômico

O interesse mundial por estudar crateras pode não ser puramente científico, mas também econômico. O maior depósito de níquel do mundo, por exemplo, é associado à cratera de Sudbury no Canadá, e esse níquel tem origem comprovadamente meteorítica, segundo Crósta. A cratera de Vredefort, na África do Sul, também tem associação com recursos minerais, principalmente no que diz respeito à remobilização de metais preciosos, que depois formaram algumas das mais importantes jazidas de ouro do mundo. “Só para ter ideia, no Canadá existem aproximadamente 40 crateras meteoríticas e várias têm recursos minerais associados”, explica Crósta.

Outro recurso mineral que pode estar relacionado a crateras de impacto no mundo são o petróleo e o gás. “Não existe uma relação direta entre petróleo/gás e crateras meteoríticas, mas os processos de deformação aos quais as rochas são submetidas podem favorecer a criação de rochas-reservatório para a acumulação desses hidrocarbonetos. É o que ocorreu na cratera de Chicxulub no Golfo de México, que contém grandes depósitos de gás em brechas de impacto meteorítico, uma rocha-reservatório que apresenta condições favoráveis para acumular petróleo e gás”, explica. Fonte: Unicamp.

A Estrela da Tarde está de volta

Como avistar Vênus

Desde o Verão passado que os planetas dominantes do céu nocturno têm sido Júpiter e mais tarde Saturno, mas isso agora mudou. Vénus está a emergir.

Vénus está mais perto do Sol do que a Terra, por isso o seu ano – o tempo que leva a dar uma volta ao Sol – é muito mais curto que o nosso. À medida que Vénus orbita o Sol, alterna entre o céu diurno e nocturno.

Após a sua última passagem pelo céu da manhã, Vénus pareceu passar por trás do Sol – o que os astrónomos chamam de “conjunção superior” – no dia 11 de Janeiro. Durante semanas não foi visível, embebido profundamente no brilho do Sol. A cada dia que passava, movia-se um pouco para Este e afastando-se da nossa estrela.

Vénus agora está baixo a Oeste ao pôr-do-Sol, uma “estrela da tarde” que fica mais alta a cada dia que passa. Quem tiver um horizonte limpo a Oeste, pode já avistar Vénus a olho nu, até mais ou menos uma hora após o pôr-do-Sol. Mas, descobri-lo baixo no horizonte e por entre o brilho cada vez menor do Sol, poderá ser complicado.

Acima: Posição do planeta Vénus, ao pôr-do-Sol, no dia 4 de Março.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium.

Continuando a viajar para Este do Sol durante Março, Vénus em breve tornar-se-á bem visível no céu nocturno a Oeste, mesmo até para o mais casual dos observadores. Aparecendo como um objecto “estelar” esbranquiçado de magnitude -3,9, o nosso planeta-irmão põe-se uma hora depois do Sol no dia 4 de Março. Nesta escala de magnitudes, números mais pequenos representam objectos mais brilhantes, e Vénus é o objecto natural mais brilhante no céu, a seguir ao Sol e à Lua.

Vénus continuará a subir a cada noite, durante toda a Primavera e Verão. Na primeira semana de Junho, põe-se mais de duas horas e meia depois do Sol. A maior altitude do planeta ao pôr-do-Sol também será por volta desta altura.

Entre 28 de Março e 12 de Abril, Vénus e Mercúrio vão ser um par atractivo no céu a Oeste após o pôr-do-Sol. Entre estas duas datas, estes dois planetas estão a menos de 5 graus entre si, Vénus estando um pouco mais para a esquerda e para cima do mais ténue Mercúrio. A 3 de Abril, estarão à distância mais pequena, a apenas 3 graus entre si.

E no princípio de Agosto, Vénus será parte um “trio planetário,” juntando-se aos mais ténues planetas, Marte e Saturno, baixos no céu a Oeste após o pôr-do-Sol.

Acima: Conjunção de três planetas, Vénus, Marte e Saturno, em Agosto.
Crédito: Miguel Montes, Stellarium.

Vénus alcança a sua maior elongação – a sua maior distância angular -, 46º Este do Sol, no dia 22 de Agosto.

Vénus estará mais brilhante no princípio do Outono, à medida que se aproxima novamente do Sol, alcançando o seu brilho máximo para esta órbita a 22 de Setembro, uma espectacular magnitude -4,56. Isto torna o planeta Vénus à volta de 20 vezes mais brilhante que Sirius, a estrela mais brilhante do céu nocturno. A partir daí, Vénus rapidamente baixa de magnitude, desaparecendo do céu em meados de Outubro, e passando a conjunção inferior a 28 de Outubro.

Em coisa de uma semana, ressurge como “estrela da manhã” a Sudeste.

Muitas pessoas não se apercebem que Vénus também tem fases, tal como a nossa Lua. Entre agora e Outubro, a observação repetida de Vénus com um pequeno telescópio vai mostrar toda a sua colecção de fases e tamanhos do disco.

Acima: Comparação entre o tamanho aparente de Vénus, nos dias 4 de Março, no final da Primavera e a 31 de Agosto, respectivamente. Note-se as diferentes fases do planeta. Crédito: Miguel Montes, Stellarium.

O planeta aparece agora praticamente cheio (98% iluminado), e será um disco pequeno e deslumbrante. Ficará com uma forma mais gibosa e maior em tamanho aparente no final da Primavera. No final de Agosto, Vénus finalmente alcança o seu Quarto Crescente.

A partir daí, durante o resto do ano, fica cada vez maior em tamanho aparente e com uma fase mais fina, à medida que passa mais perto da Terra. De facto, se usar um telescópio irá notar que enquanto a distância Terra-Vénus diminui, o tamanho aparente do disco de Vénus aumenta, quase que duplicando o seu tamanho actual em 31 de Julho.

Quando Vénus duplicar novamente de tamanho a 23 de Setembro, a sua fase crescente deverá ser facilmente discernível, mesmo até em simples binóculos com 7x de ampliação. Fonte: Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.

LUA CRESCENTE

Investigação Celeste

Fotos da Lua

Acima: Registro da Lua em seu quarto crescente. Fotografia feita com auxílio de um telescópio refrator. Pesquisa feita em Campinas, no dia 21/02/2010.

Astrofotografia © Camila Casteleti & Daniel Pátaro

Olhe sempre para o Céu!

VISÃO NOTURNA

Astrofotografia

Imagens noturnas do céu de Campinas

Acima e abaixo: Fotografias do céu de Barão Geraldo, Campinas/SP. Dia 04/02/2010, às 2:35 horas. Na foto acima, destaque para o Cruzeiro do Sul (esquerda abaixo), Constelação de Lobo, Libra, Serpente. Horizonte Sul.

Acima: Lua entrando em sua fase minguante. Horizonte Leste.

Acima: Horizonte Oeste, direção da Constelação de Gêmeos, Cão Maior e Cão Menor. Destaque para Sirius, Procyon e Régulus.

Acima: Luz da Lua irradia na foto de longa exposição e gera cone luminoso no centro da imagem.

Acima: Zênite, 2:36 horas. Destaque para a Constelação de Corvo no centro da imagem.

Astrofotografia © Daniel Pátaro

Olhe sempre para o Céu!

APROXIMAÇÃO MARCIANA

Marte está no ponto mais próximo da Terra em seis anos

Terra e Marte estão mais próximos neste dia 27 de janeiro. A distância de 99 milhões de quilômetros é a menor em seis anos, de 2008 a 2014. O planeta vermelho poderá ser visto mais próximo durante cerca de uma semana.

Marte esteve no ponto mais próximo da Terra em 60 mil anos em 2003.

 

Como o verão está chegando ao norte de Marte, a calota polar e as nuvens estão mudando e a imagem pode ser vista de um telescópio médio ou de uma câmera digital. É possível também ver o planeta a olho nu, já que ele é quase tão brilhante quanto Sirius, a estrela mais brilhante do céu.

Mas não espere ver Marte como uma lua cheia, ele se parecerá mais com uma estrela alaranjada e bem brilhante. Para saber como achar Marte, vale conferir as imagens do céu feitas pela Nasa dos dias 27, 28 e 29 de janeiro.

O dia 29 é o melhor para observadores, quando a Lua estará cheia e formará uma conjuntura com Marte e a constelação de Câncer. Nesta noite, Marte estará em oposição ao Sol, ou seja, em sua frente. O planeta subirá ao lado da Lua ao entardecer, nunca se afastando mais de 6º do satélite.

Segundo o site da Nasa, vale reparar na combinação de Sirius com Marte. Enquanto a estrela é azul e pulsante, o planeta vermelho tem uma cor laranja permanente.

A cada 26 meses, aproximadamente, Terra e Marte se aproximam -às vezes ficam mais próximos, às vezes mais distantes. Em 2003, a distância foi a menor em 60 mil anos, quando ficaram a 56 milhões de quilômetros um do outro. Fonte: Folha de S. Paulo.

NOITES GALILEANAS

 

Noites Galileanas

 

Entre 22 e 24 deste mês, milhares de pessoas de 140 países, inclusive o Brasil, irão observar o céu como fez o mestre italiano há 400 anos com sua luneta

 
Há quatro séculos, Galileu estava concentrado em fabricar um instrumento que teve um profundo impacto na história, o telescópio

 

Neste mês de outubro, há 400 anos, Galileu estava concentrado em fabricar um instrumento que teve um profundo impacto na história. Não que fosse um objeto conceitualmente novo. A luneta já havia sido inventada antes, na Holanda, e o próprio Galileu já tinha vendido um exemplar a alto preço para o Dodge de Veneza. A vantagem da luneta em “ver o inimigo antes que ele nos veja” já havia sido consagrada em seu uso militar a partir da demonstração feita em 25 de agosto de 1609. Com a paz de um salário melhor e mais tempo para pesquisa, em outubro daquele ano, Galileu já estava completando uma pequena maravilha, um telescópio capaz de aumentar 20 vezes o tamanho aparente de um objeto. Mas, estranhamente, agora ele a usava de noite, apontando acima do horizonte. Uma excentricidade sem nenhuma utilidade perceptível, como muitas das pesquisas científicas de nossos dias. Em dezembro, Galileu começou a desenhar freneticamente mapas da Lua, depois das Plêiades, Órion, Via Láctea, Júpiter e suas luas, Vênus, Saturno, Marte e as manchas solares. Muitas coisas não se encaixavam na visão tradicional de perfeição celeste. Depois dessas noites que Galileu passou em claro, o mundo nunca mais seria o mesmo. Novos horizontes e uma nova maneira de olhar a natureza se inauguravam.

É claro que a glória não é do instrumento, mas de como ele foi usado. Thomas Harriot, na Inglaterra já havia feito mapas da Lua (6 meses) antes de Galileu e continuou fazendo depois, sem causar o menor impacto. Galileu tinha objetivos muito mais amplos que simplesmente registrar e relatar. Queria trabalhar uma nova forma de relacionamento com a natureza que não se submetesse ao crivo da autoridade, ao contrário do hábito da época. Precisava de apoio, e descreveu tudo o que via e pensava no famoso livrinho: Mensageiro das Estrelas. Ao mesmo tempo, na Polônia, Johannes Kepler, em seu livro Astronomia Nova, abolia os círculos como forma de repesentar os movimentos dos astros, introduzindo as elipses. Acabava a perfeição do céu e ele precisava ser redescoberto.

É curioso que tanto Galileu quanto Kepler haviam admitido, por muito tempo, uma concepção clássica onde o círculo era a figura fundamental para os corpos celestes e representava o movimento natural, sem força (inercial). A geometria se aplicava ao céu, mas a física se restringia à Terra, onde os movimentos era tidos como forçados. A adesão ao heliocentrimo os levou a romper com essa tradição, mas sem conseguir formular uma alternativa. Cerca de 80 anos mais tarde, o livro de Newton Princípios Matemáticos da Filosofia Natural juntava as órbitas keplerianas e o princípio inercial de Galileu para construir a primeira teoria científica da história. Tanto o céu quanto a Terra passavam a fazer parte de uma mesma natureza. No fundo, a colocação da Terra em órbita em torno do Sol, feita por Copérnico, não era tão inocente quanto parecia. A própria Igreja Católica a tolerou como artifício de cálculo, mas ela trazia escondida a entrada da morte no céu. E isso é o que lhe deu vida, como pode se ver pelos temas de “nascimento” e “morte”, que tiveram grandes desdobramentos depois disso, especialmente na astrofísica moderna.

Essa temática de transformação (mudança, dessacralização) apareceu no Renascentismo, ao mesmo tempo, na ciência e na pintura. Num paralelo à entrada da Terra (como lugar da morte) no céu, podemos ver na pintura uma valorização gradativa do humano nas cenas sacras e uma espécie de humanização dos deuses, em sofrimento, com corpos desnudos. A eliminação dos limites entre o céu e a Terra, o sacro e o profano foi um grande movimento nos anos 1500-1600, cuja causa não está completamente explicada. Entretanto, essa dicotomia ainda se mantém até hoje no imaginário de nossos cidadãos, para quem céu e Terra são coisas antagônicas, mesmo sabendo que vivemos num astro, que os planetas são outras terras e que a energia e a matéria de nossos corpos vieram do céu, que muitos produtos e técnicas foram criados para entender os astros.

Isso é explicável quando notamos que poucas pessoas tiveram, de fato, acesso a essas revoluções. Quantas pessoas ainda não tiveram a oportunidade de ver o que Galileu viu através de sua luneta, quatro séculos atrás? É para aproximar as pessoas dessa realidade cósmica em que vivemos que a rede do Ano Internacional da Astronomia está realizando o programa mundial Noites Galileanas, em 140 países, nos dias 22, 23 e 24 de outubro. Procure no ”Calendário de Eventos” do site http://www.astronomia2009.org.br/ a programação para a sua cidade. No mesmo site, você encontrar textos e outros aplicativos que ajudam a compreender e a programar as observações. Note que Júpiter (cujas 4 luas por si só já seriam suficientes para garantir a fama de Galileu) pode ser visto como um astro brilhante bem alto no céu, na primeira parte da noite. Para participar desse evento mundial, saia para fora e localize-o no céu, mesmo que somente a olho nu. Fonte: Pesquisa Fapesp.

SOL E LUA

 

Fotografia Digital

 

Acima: Sol e Lua clicados em Hortolândia e Campinas, Julho de 2009.

 

Fotografia: Camila Casteleti.

ECLIPSE LUNAR

RADAR ESPECIAL

OBSERVAÇÃO CELESTE

ROTA IMPOPULAR registra Eclipse da Lua em Barão Geraldo.

Acima: AMOSTRAS – Imagens do Eclipse Lunar capturadas em Barão Geraldo, dia 16/08/2008, das 19:03 às 19:41 horas.

Fotografia: Daniel Pátaro

Acima: Tipos de eclipse de acordo com a passagem pelo nodo descendente. 2 – descreve um eclipse penumbral, 3 - um eclipse parcial e 4 - um eclipse total. Mais informações AQUI.

ROTA IMPOPULAR

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RADAR ESPECIAL

INVESTIGAÇÃO CELESTE 

- ECLIPSE 2008 -

OBSERVAÇÃO DO ECLIPSE LUNAR FRUSTRADA PELO TEMPO NUBLADO EM BARÃO GERALDO

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Acima: Barão Geraldo, 20/02/2008, 19:15 horas, horizonte sul. Forte tempestade se aproxima e começa a diminuir as chances de visibilidade para a observação do eclipse lunar.

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Acima: 19:16 horas, chuva e mais tempo nublado inviabilizaram a observação e investigação celeste nas horas do eclipse.

Fotos: Daniel Pátaro

ROTA IMPOPULAR

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ECLIPSE 2008

 Eclipse da Lua

 O site Cultura Espacial inicia os preparativos para a cobertura total do Eclipse Lunar em 20 de Fevereiro de 2008 

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Acima: Lua depois do eclipse em 03/03/2007, 00:48 hora.

Fotografia © Daniel Pátaro

 Na noite do dia 20 para o dia 21, a Lua passará pela sombra da Terra. Teremos um Eclipse Lunar Total inteiramente visível de todo o território brasileiro.
Quem perder esse, só terá oportunidade de ver outro igual em dezembro de 2010 (em agosto próximo teremos um parcial). Fique atento para os horários.
Mas vamos ao que interessa, qual o horário do eclipse? A tabela abaixo indica os momentos do eclipse no horário de Brasília (lembre que o horário de verão já acabou!)
 

1) Entrada da Lua na penumbra: 20/02 - 21h35
2) Meio do eclipse: 21/02-
00h26
3) Saída total da penumbra: 21/02 – 03h17

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Acima: Lua eclipsada em 03/03/2007, 21:09 horas.

Fotografia © Daniel Pátaro

 O eclipse terá uma duração de 51 minutos, ou seja, a Lua permanecerá quase uma hora na parte mais escura da sombra da Terra. Para observar você só precisa de um local aberto que possa avistar a Lua. Com uma luneta, ou telescópio mesmo pequeno é possível ver a sombra da Terra caminhando e cobrindo as crateras e montanhas da superfície lunar. Agora é só torcer para São Pedro colaborar!

 

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Conexão Climática

 Tornado em Santa Catarina

 Tornado em Santa Catarina provavelmente superou intensidade F-1 

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 O primeiro tornado documentado no Brasil em fotografia ocorreu em 1975, quando oficiais da Base Aérea de Santa Maria foram surpreendidos por uma formação tornádica no aeródromo e foram diligentes em registrar o fenômeno (foto abaixo). 

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 Fonte: MetSul

FADA DA LUA

 

China publica primeira foto da Lua feita pela nave Chang`e 1 

 

Foto chinesa da Lua.

Acima: Foto publicada pela Agência Espacial Chinesa (CNSA) no dia 26/11/2007, mostra a primeira imagem da Lua capturada pela nave Chang’e 1 (Fada da Lua em chinês), que orbita nosso satélite e obteve total sucesso na primeira fase da missão de exploração lunar.

 CNSA

 

RADAR ESPECIAL

ASTRONOMIA URBANA

Lua em Barão Geraldo.

Acima: Imagem da Lua capturada em Barão Geraldo, dia 27/11/2007, 1:55 hora. (Fotografia: Daniel Pátaro)

 

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