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Super Supernova: Sistema estelar de Anã Branca excede limite de massa

Uma equipa internacional liderada pela Universidade de Yale mediu, pela primeira vez, a massa de um tipo de supernova que se pensava pertencer a uma subclasse única e confirmou que ultrapassa o que se pensava ser um limite superior de massa. Os seus achados, que estão on-line e serão publicados numa edição futura da revista Astrophysical Journal, podem afectar o modo como os cosmólogos medem a expansão do Universo.

Os cosmólogos usam as supernovas Tipo Ia – violentas explosões de núcleos de estrelas mortas denominadas anãs brancas – como uma espécie de régua cósmica para medir a distância à galáxia da supernova e, como tal, compreender o passado e o futuro da expansão do Universo e explorar a natureza da energia escura. Até recentemente, pensava-se que as anãs brancas não podiam exceder o que é conhecido como o limite de Chandrasekhar, uma massa crítica equivalente a cerca de 1,4 vezes a massa do Sol, antes de explodirem numa supernova. Este limite uniforme é uma ferramenta-chave na medição da distância das supernovas.

Acima:Imagem da supernova de tipo Ia, SN 1572. Crédito: NASA/CXC/JPL-Caltech/Observatório Calar Alto, Krause et al.

Desde 2003, foram descobertas 4 supernovas tão brilhantes que os cosmólogos ficaram na dúvida se as suas anãs brancas tinham ultrapassado o limite de Chandrasekhar. Estas supernovas foram apelidadas de supernovas “super-Chandrasekhar“.

Agora Richard Scalzo da Universidade de Yale, como parte de uma colaboração de físicos americanos e franceses com o nome de NSF (Nearby Supernova Factory), mediu a massa da anã branca que resultou numa destas raras supernovas, chamada SN 2007if, e confirmou que excede o limite de Chandrasekhar. Também descobriram que a invulgarmente brilhante supernova não só tinha uma massa central, como também uma concha de material que foi expelido durante a explosão, e um envelope de material pré-existente. A equipa espera que esta descoberta forneça um modelo estrutural a partir do qual se perceba melhor outras supernovas supermassivas.

Usando telescópios no Chile, Hawaii e Califórnia, a equipa foi capaz de medir a massa da estrela central, da concha e do invólucro individualmente, providenciando a primeira prova conclusiva de que o próprio sistema estelar realmente ultrapassou o limite de Chandrasekhar. Eles descobriram que a própria estrela parece ter tido uma massa 2,1 vezes a do Sol (+/- 10%), o que a coloca bem acima do limite.

O terem sido capazes de medir as massas de todas as partes do sistema solar fornece aos físicos mais informações acerca da evolução do sistema – um processo que é actualmente pouco conhecido. “Nós não sabemos muito acerca das estrelas que se transformam nestas supernovas,” afirma Scalzo. “Queremos saber mais acerca de que tipo de estrelas eram, e como se formaram e evoluíram ao longo do tempo.”

Scalzo acredita ser provável que SN2007if tenha resultado da fusão de duas anãs brancas, em vez da explosão de um única anã branca, e espera estudar outras supernovas super-Chandrasekhar para determinar se, também, podem ter envolvido uma fusão de duas anãs brancas.

Os teóricos continuam a explorar como estrelas com massa acima do limite de Chandrasekhar, que é baseado num modelo estelar simplificado, podem existir sem colapsar sobre o seu próprio peso. De qualquer modo, uma subclasse de supernovas dirigidas por uma física mais exótica pode ter um efeito mais dramático no modo como os cosmólogos as usam para medir a expansão do Universo.

“As supernovas são usadas para fazer afirmações acerca do destino do Universo e da nossa teoria da gravidade,” afirma Scalzo. “Se o nosso conhecimento das supernovas mudar, pode impactar significativamente as nossas teorias e previsões.” Fonte: Astroboletim Ciência Viva.

AMEAÇA DE TEMPORAIS

Segunda metade de março começa com ameaça de temporais no Sudeste e massa de ar frio no Sul

A semana que começa inicia com a nossa preocupação quanto à possibilidade do Rio de Janeiro ser mais castigado por chuva intensa e novos temporais. O avanço de uma massa de ar frio pelo Leste do Sul do Brasil voltará a ativar a instabilidade no Rio com possibilidade de novos e pesados aguaceiros. Neste domingo, a cidade do Rio sofreu com chuva forte e temporal de vento e raios que fez estrago. Associadas ao ar quente e úmido, as áreas de instabilidade explodiram sobre a região durante a tarde com a passagem de uma frente fria pelo alto mar.

Se a semana que passou foi marcada por um ciclone tropical, a rara tempestade tropical Anita, a que começa terá um anticiclone (centro de alta pressão) como principal sistema a influir o tempo no Rio Grande do Sul. Enorme e poderoso ciclone extratropical, de apenas 960 hPa, a Leste das Ilhas Malvinas, impulsiona uma massa de ar frio da Antártida para o Sul e o Leste da Argentina. Ao mesmo tempo, um sistema de alta pressão que estava na costa do Pacífico do Chile se estabelece na Argentina e após avança para o Atlântico na metade da semana. O ar frio, que acompanha este sistema de alta pressão, irá ingressar hoje aqui no Estado. As notícias que circulam em parte da mídia de que o Estado terá “uma semana de frio”, contudo, não procedem, uma vez que rapidamente o ar frio escoará para o mar entre quarta e quinta-feira com o retorno do calor pelo Oeste. Ademais, o frio, provavelmente com as mais baixas mínimas desta estação em diversas localidades, de um dígito, se limitará ao período noturno. Os dias serão amenos e mesmo quentes no Oeste, especialmente na segunda metade da semana. Com o sistema de alta, o tempo seco irá predominar, o que é ruim para a agricultura, afinal as projeções pelos modelos de chuva forte para o Norte gaúcho no fim de semana não se concretizaram. Fonte: Metsul.

ISOLAMENTO

A construção da teia

Tese discute por que não cresce a participação da pesquisa brasileira em redes internacionais

Enquanto várias nações conseguiram ampliar sua produção científica feita em colaboração internacional, os artigos de pesquisadores brasileiros escritos em parceria com estrangeiros estacionaram na casa dos 30% e vêm crescendo, em números absolutos, num ritmo menor do que as colaborações internas, aquelas que resultam do trabalho conjunto de cientistas da mesma nacionalidade. Essa evidência é um dos destaques de uma tese de doutorado sobre as redes de colaboração científica do país, defendida no ano passado por Samile Vanz, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob orientação de Ida Stumpf. Samile analisou 49.046 artigos brasileiros publicados em revistas indexadas na base Web of Science, da empresa Thomson Reuters, entre os anos de 2004 e 2006, e constatou que mais de 95% deles baseavam-se em algum tipo de colaboração. As parcerias dentro do próprio país respondiam por cerca de dois terços dos artigos e registraram estabilidade, com uma ligeira alta: de 69,2% do total em 2004 para 70,1% em 2006. Já o nível de colaborações internacionais apresentou uma pequena oscilação negativa.

A proporção de artigos brasileiros com pelo menos um autor estrangeiro, que era de 30,8% do total em 2004, foi a 30,1% em 2005 e a 30% em 2006. A estabilidade nesse patamar chamou a atenção da pesquisadora, num período em que a produção científica brasileira cresceu a taxas anuais que chegam a 8%, sendo responsável atualmente por 2% da produção mundial e 45% da América Latina, e políticas para ampliar a inserção internacional foram criadas – no início dos anos 2000, a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes) passou a conceder os conceitos mais elevados (6 e 7) apenas a programas de pós-graduação que mantivessem colaborações internacionais. “O trabalho em colaboração está crescendo no Brasil e é responsável por quase a totalidade da produção científica indexada, mas as parcerias internacionais oscilam sem conseguir avançar”, conclui Samile Vanz.

A quantidade de artigos escritos em coautoria é usada como indicação da colaboração científica entre países, instituições e pesquisadores, ou entre setores (academia, governo e empresas privadas). Embora existam caminhos para ampliar a inserção internacional da pesquisa que não necessariamente resultam na publicação de artigos, como o intercâmbio de alunos de pós-graduação e a participação em congressos e workshops, a importância para a pesquisa brasileira do indicador de coautoria já foi observada em vários estudos. Um deles, publicado em 2006 por Abel Packer e Rogério Meneghini, do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme), analisou os artigos brasileiros com mais de 100 citações na base Web of Science entre os anos de 1994 e 2003. Constatou-se que 84,3% deles eram fruto de parcerias com outros países. Outro estudo de Rogério Meneghini publicado em 1996 mostrara que artigos resultantes de colaborações internacionais têm, em média, quatro vezes mais citações do que os trabalhos que envolvem colaborações nacionais, os quais, por sua vez, têm impacto 60% superior aos publicados por um único autor.  “O Brasil precisa lutar para que sua pesquisa tenha uma inserção internacional maior, porque isso dará mais visibilidade à sua produção e significará o acesso a recursos e equipamentos que não estão disponíveis quando se faz pesquisa de forma isolada”, afirma a pesquisadora Samile, cujo trabalho teve a colaboração de um grupo especializado em bibliometria da China – ela fez um estágio doutoral de um ano num laboratório da Universidade Tecnológica de Dalian, onde aprendeu técnicas de tratamento e análise de dados utilizados na tese.

A tendência ao trabalho colaborativo é justificada, segundo a literatura, por múltiplos fatores, que vão desde a necessidade de dividir custos de equipamentos e de se relacionar com pesquisadores de outros campos do conhecimento em estudos interdisciplinares até a ampliação do acesso a financiamentos e o desejo de aumentar a bagagem acadêmica, conhecer novas metodologias e desenvolver habilidades por meio do contato com quem tem mais experiência. O advento da internet e das redes sem fio facilitou o acesso de pesquisadores separados por grandes distâncias. As motivações para a colaboração, diz Samile, não são as mesmas em todos os campos do conhecimento. Na matemática, por ser uma disciplina teórica, as parcerias tendem a resultar da necessidade de trocar ideias e debater problemas. Já na física a colaboração é fortemente marcada pela necessidade de compartilhar equipamentos custosos, como aceleradores de partículas.

Os cerca de 30% de colaborações obtidas pelo Brasil nem de longe representam um dado trivial. “A estabilidade desses números mostra que temos uma comunidade científica consolidada, com grupos fortes em várias áreas que conseguem caminhar sozinhos”, diz Jacqueline Leta, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que participou da banca da tese de Samile. “Uma explicação possível é que a comunidade científica formal, que é aquela que celebra as parcerias, está relativamente estabilizada. O que vem crescendo não é o número de pesquisadores, mas o de estudantes de pós-graduação, para quem produzir em colaboração é uma tarefa mais difícil”, afirma. Segundo Jacqueline, países pequenos tendem a ter índices de colaboração muito elevados, o que denota dependência de sua comunidade científica. Os 30% do Brasil estão acima dos cerca de 25% obtidos pelos Estados Unidos, responsáveis por mais de um terço de toda a produção científica do planeta. Mas se encontram abaixo de outros países da América Latina, como Chile, Argentina e México. A Europa vem ampliando seus índices de colaboração. Eles chegam a 50% da produção, o dobro de duas décadas atrás, e foram impulsionados por políticas no âmbito da União Europeia de aproximação dos cientistas de seus países membros. O nível europeu é duas vezes maior que o de países como Estados Unidos e Japão, mas o patamar desses países também vem crescendo, num sinal de crescente internacionalização da pesquisa. Fonte: Pesquisa Fapesp Online.

ESPECTRÓGRAFO

Rumo às estrelas

Instrumentos astronômicos feitos no Brasil equipam o telescópio Soar, nos Andes chilenos

Acima: O branco e o prata: o elegante prédio do Soar e o vizinho Gemini Sul, ao fundo. Fotografia © Ricardo Zorzetto.

O físico Antônio César de Oliveira mal viu a luz do dia na última semana de janeiro. Ele, o astrônomo Flávio Ribeiro e o engenheiro mecânico Fernando Santoro passaram cinco dias seguidos trabalhando em uma sala sem janelas no topo de uma montanha pedregosa e sem vegetação dos Andes chilenos. Deixavam o dormitório pela manhã, percorriam três quilômetros em uma estrada de terra estreita e poeirenta e só retornavam tarde da noite, quando um número incontável de estrelas já povoava o céu. Havia pouco tempo e muito a fazer. Com a ajuda de técnicos chilenos, eles conectavam o maior e mais complexo equipamento astronômico já feito no Brasil ao telescópio do Observatório Austral de Pesquisa Astrofísica (Soar), construído com financiamento brasileiro e norte-americano próximo à cidade de Vicuña, no norte do Chile.

Com cerca de 3 mil peças e pouco mais de meia tonelada, o equipamento que os brasileiros instalavam no final de janeiro é um espectrógrafo, aparelho que decompõe a luz nas diferentes cores (espectros) que a formam – algumas delas invisíveis ao olho humano, como o ultravioleta e o infravermelho. No interior do espectrógrafo, a luz de astros próximos ou distantes explode em uma sucessão de cores do arco-íris, mas em proporções que variam segundo a composição química do objeto observado.

O instrumento instalado no Soar, porém, não é um espectrógrafo qualquer. O aparelho que chegou ao prédio do observatório no Cerro Pachón em 10 de dezembro, depois de viajar quase 3,5 mil quilômetros por ar e terra desde as oficinas do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) em Itajubá, Minas Gerais, é um espectrógrafo com inovações tecnológicas que o tornam único no mundo. Uma das características que fazem do Espectrógrafo de Campo Integral do Soar (Sifs) um instrumento especial é sua capacidade de fracionar a imagem de um objeto celeste em 1.300 partes iguais e, a um só tempo, registrar o espectro de todas elas. Em alguns meses, quando estiver funcionando com todo o seu potencial, o Sifs permitirá, por exemplo, avaliar a composição química de 1.300 pontos de uma galáxia em uma única medição de poucos minutos, tarefa que até então exigia centenas de medições distintas.

“Para os astrônomos, isso é muita informação”, explicou o físico Clemens Gneiding  em outubro passado, durante a etapa final de montagem do Sifs nos laboratórios do LNA, antes do embarque para o Chile. E não é só. Esse espectrógrafo foi projetado para ter um altíssimo poder de resolução espacial. “Ele pode distinguir objetos muito próximos no céu, separados por um segundo de arco [unidade de medida de ângulo]”, completou. Em termos mais concretos, isso corresponde ao tamanho de uma bola de futebol vista a 50 quilômetros de distância – algo absurdamente pequeno.

Na tarde de 28 de janeiro a equipe brasileira corria de um lado para o outro no prédio branco reluzente do Soar que pode ser visto ao longe por passageiros  dos voos que pousam na região. Eles  tentavam concluir a conexão do Sifs antes que a semana terminasse. “Uma semana é muito pouco tempo para completar a instalação e fazer os ajustes necessários”, afirmou Santoro, responsável pela parte mecânica do projeto.

“O mais complicado é instalar o cabo com as fibras ópticas que unem as duas partes do espectrógrafo”, comentou Oliveira, enquanto avaliava a melhor maneira de acomodar na base do telescópio o tubo flexível de oito centímetros de diâmetro e 14 metros de comprimento contendo as fibras de vidro superfinas – têm metade da espessura de um fio de cabelo – que devem conduzir a luz do primeiro ao segundo módulo do instrumento. “Temos de ser cuidadosos porque essas fibras vão se mover alguns centímetros para acompanhar os movimentos do telescópio, mas não podem ficar tensionadas”, explicou o físico especialista em óptica, coordenador do Laboratório de Fibras Ópticas do LNA. Se forem tracionadas, as fibras podem romper e deixar cego o espectrógrafo de US$ 1,8 milhão financiado pela FAPESP.

Com o Sifs em atividade, a luz coletada pelo espelho de 4,1 metros do Soar será focalizada no chamado módulo pré-óptico do espectrógrafo, uma caixa preta retangular um pouco maior que o gabinete de um computador, acoplada à base do telescópio. No interior desse módulo um conjunto de lentes amplifica de 10 a 20 vezes a intensidade da luz e a lança sobre 1.300 microlentes. Cada microlente, por sua vez, orienta a luz que recebe para uma das 1.300 fibras ópticas, que, como os fios de eletricidade de uma casa, a conduzem até o segundo e maior módulo do equipamento: o espectrógrafo de bancada, instalado dois metros abaixo, na torre de sustentação do telescópio. Ali outras 18 lentes – algumas delas podem girar até 130 graus com a precisão de milésimos de milímetro – ora dispersam, ora alinham, ora fazem convergir os feixes luminosos até que alcancem o sensor onde serão registrados. Mais informações em Pesquisa Fapesp Online.

NGC 3582

Crédito: T. A. Rector (U. Alaska), T. Abbott, NOAO, AURA, NSF

O que está a acontecer na nebulosa NGC 3582? Estão a formar-se estrelas brilhantes e moléculas interessantes. A nebulosa complexa reside na região de formação estelar chamada RCW 57. Visível nesta imagem, nós densos de poeira interestelar escura, estrelas brilhantes que se formaram nos últimos milhões de anos, campos de hidrogénio brilhante ionizado por estas estrelas, e grandes “loops” de gás expelido por estrelas moribundas. Um estudo recente de NGC 3582 descobriu pelo menos 33 estrelas maciças nos estágios finais da sua formação, e uma presença clara de moléculas complexas de carbono conhecidas como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs). Pensa-se que os PAHs tenham sido criados no gás em arrefecimento destas regiões de formação estelar, e o seu desenvolvimento na nebulosa que formou o Sol há 5 mil milhões de anos pode ter sido um passo importante para o desenvolvimento da vida na Terra. Esta imagem foi registada em 2007 com o telescópio Blanco de 4-metros no Observatório Inter-Americano em Cerro Tololo, no Chile.

Síncrotron é afetado pelo terremoto no Chile

Tremor de terra no Chile provocou oscilações no feixe de elétrons; os danos ainda são desconhecidos

A oscilação foi percebida durante o monitoramento que ocorre em tempo integral no laboratório. (Foto: Cedoc/RAC)

O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Barão Geraldo, Campinas, registrou reflexos do terremoto que atingiu o Chile, na madrugada do último sábado. Houve oscilação no feixe de elétrons. Segundo informações do laboratório, até agora não há relatos de danos causados nas pesquisas em andamento naquele dia, mas é possível que no acúmulo dos dados apareçam distorções. Desde o dia 18 de janeiro deste ano, cerca de 88 pesquisas foram realizadas nas 15 linhas de luz do laboratório. A instabilidade foi identificada às 3h45, minutos após o tremor de terra de 8,8 graus de magnitude atingir a região central do Chile, e se tornar o quinto maior terremoto da história.

A oscilação foi percebida durante o monitoramento que ocorre em tempo integral no laboratório. Inicialmente, o técnico que acompanhava o desempenho da unidade percebeu a oscilação que durou alguns minutos e não conseguiu relacionar o problema na estabilidade do feixe e na distorção da órbita com qualquer evento interno.

De acordo com o coordenador do Grupo de Operações da Fonte de Luz Síncrotron, Ruy Hanazaki do Amaral Farias, o relato inicial não identificou o problema. “No dia seguinte, com a notícia do terremoto fizemos a relação. A distorção foi de 300 micrometros, cerca de 0,3 milímetros, considerada fora do comum dentro do laboratório e pouco acima da faixa de tolerância de 10%”, afirmou. Fonte: Cosmo.

Estudo virtual do centro da Terra

Terremotos como o ocorrido na semana passada no Chile e o que destruiu o Haiti em janeiro são importantes fontes de informação para os geofísicos. Os dados registrados durante os tremores servem não só para os estudos dos abalos em si como também para tentar conhecer melhor o centro da Terra.

Ao ser medido do outro lado do planeta, por exemplo, o tremor em terras chilenas pode ajudar a descobrir a constituição do centro terrestre por onde essas ondas sísmicas passaram.

A fim de ampliar as fontes de informação sobre o assunto, um Projeto Temático iniciado no dia 1º deste mês, apoiado pela FAPESP, pretende investigar nos próximos três anos a composição do centro do planeta sem necessitar da ocorrência de abalos sísmicos.

Os pesquisadores ligados ao projeto, intitulado “Simulação e modelagem de minerais a altas pressões”, reproduzirão por meio de modelos computacionais as condições termodinâmicas a que os minerais estão expostos no subsolo terrestre.

As dificuldades de se estudar o que ocorre no chamado manto terrestre inferior, que compreende profundidades entre 670 e 2,7 mil quilômetros, pressões entre 20 e 130 gigapascais e temperaturas que chegam a 2000º Kelvin, fazem os cientistas lançar mão de medidas indiretas, como as geradas pelos abalos sísmicos.

“Só para se ter uma ideia, a camada pré-sal do oceano na qual o Brasil vai explorar petróleo compreende profundidades de cerca de 7 quilômetros. Isso mostra que conhecemos somente a casquinha do nosso planeta, comparou João Francisco Justo Filho, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Temático.

Especialista em modelagem de materiais e em nanossistemas, Justo Filho começou a se interessar por geofísica em 2007, quando atuou como pesquisador visitante na Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.

Na época, notou que não havia muitos estudos teóricos de materiais submetidos a altas pressões e passou a analisar a influência da pressão no magnetismo.

Uma das hipóteses que a nova pesquisa deverá testar é a dos efeitos das transições dos materiais de um estado magnético para um estado não-magnético. Justo Filho especula que a viscosidade deva sofrer um grande efeito como consequência dessas transições, ou seja, à medida que o material amolece também perde seu magnetismo.

Ao aplicar essas hipóteses em um sistema altamente dinâmico, como é o centro da Terra, o grupo espera correlacionar as propriedades às possíveis combinações de elementos, como ferro, magnésio e oxigênio, que ocorrem nas chamadas áreas de recombinação química.

O grupo testará modelos geofísicos computacionais baseados em medições indiretas como a de abalos sísmicos e da radiação térmica de corpos negros. Este último método é uma ferramenta da astrofísica que consiste no registro da radiação captada na superfície de um corpo, no caso a Terra, e emitida pelo seu interior. Essa medida permite inferir por onde passou a radiação ao analisar sua trajetória desde o núcleo até a superfície.

Um dos objetivos da pesquisa é a elaboração de um mapa de correlação entre temperaturas e profundidades das várias camadas do planeta. “Essa ainda é uma questão em aberto no estudo do manto inferior terrestre”, disse Justo Filho.

Coração de ferro

Não há como estudar o centro da Terra sem abordar um dos elementos mais abundantes do núcleo incandescente, o ferro. Mas sua concentração ainda é uma incógnita para a qual o Projeto Temático tentará levantar pistas.

O interior do planeta contém primordialmente minerais do tipo óxidos, como o óxido de magnésio e o silicato de magnésio, e várias questões a respeito da incorporação do ferro nessas estruturas permanecem em aberto.

O magnetismo terrestre, que faz o ponteiro magnetizado de uma bússola apontar para o norte geográfico da Terra, é atribuído à presença do ferro na composição do planeta.

Por sua vez, as propriedades magnéticas desse mineral estão relacionadas ao seu número spin, o qual também sofre alterações motivadas por temperaturas e pressões diferentes, segundo explica a professora Lucy Vitória Credidio Assali, do Instituto de Física da USP, que também participa do Temático.

“O magnetismo terrestre pode estar associado a essas mudanças ocorridas no interior do planeta”, disse. O projeto de pesquisa permitirá a execução de simulações computacionais dispensando a necessidade de experimentos físicos realizados em laboratório.

Ensaios de minerais a altas pressões exigem equipamentos caros, como células de diamantes, que espremem amostras para medir suas propriedades físicas. Além disso, esses testes possuem limitações e não abrangem as interações que ocorrem entre os minerais no interior do planeta.

Os modelos computacionais também poderão levar à descoberta de novos meios e ferramentas para se chegar a respostas sobre dúvidas a respeito dos mecanismos internos do planeta. “Poderemos verificar alternativas e descobrir caminhos para se obter outros resultados, algo permitido pela simulação computacional”, disse Lucy.

Com as simulações, os pesquisadores esperam aprofundar os conhecimentos sobre a composição química do manto terrestre, a geo e termodinâmica do planeta e a evolução das placas tectônicas, informações essenciais para o melhor entendimento dos terremotos. Fonte: Agência Fapesp.

Mumias Incas

A donzela (foto acima), o menino, a menina do relâmpago: três crianças incas, sepultadas no alto de uma montanha gelada há 500 anos. Seus corpos congelados estão entre as múmias mais bem preservadas do mundo, com órgãos internos intactos, sangue ainda presente no coração e nos pulmões, pele e traços faciais quase imaculados. Eles congelaram até a morte depois de cair no sono, e agora seus corpos finalmente estão sendo revelados ao público num museu da Argentina
A primeira das crianças fez sua “estréia” no Museu de Arqueologia de Grandes Altitudes, na cidade de Salta, que fez parte do Império Inca até o começo do século 16. Trata-se de La Doncella, “a Donzela“, que morreu aos 15 anos. O museu de Salta foi construído especialmente para abrigar os cadáveres, mas sua direção decidiu abrir a exposição sem alarde, em respeito aos mortos.

“São pessoas mortas, indígenas mortos”, explica Gabriel Miremont, diretor e idealizador do museu. “Não é algo a ser celebrado”. As duas outras múmias devem se juntar à Donzela nos próximos seis meses. Para preservar os corpos, foi desenvolvido um abrigo especial, formado por um cilindro de acrílico o qual, por sua vez, fica no interior de uma caixa de vidro triplo. Um sistema computadorizado replica as condições climáticas da montanha onde as múmias foram achadas: pouco oxigênio, baixa umidade e pressão, temperatura de 18 graus Celsius negativos.

A sala onde a Donzela (foto acima) está fica na penumbra, e seu “casulo” está sempre escuro. Os visitantes que quiseram vê-la precisam acender uma luz. “Isso era importante para nós”, diz Miremont. “Se você não quer ver o cadáver, não aperte o botão. A decisão é sua. Ainda dá para ver as outras partes da exposição.”

As crianças foram encontradas no monte Llullaillaco, um vulcão de 6.739 m de altura perto da fronteira da Argentina com o Chile. Seu sacrifício ocorreu num ritual conhecido como capacocha. Elas caminharam por centenas de quilômetros, vindo de Cusco, a antiga capital inca no Peru. Ao chegar à montanha, beberam chicha (bebida alcoólica feita com milho), foram colocadas para dormir em nichos subterrâneos e morreram congeladas. Só crianças bonitas, saudáveis e fisicamente perfeitas eram escolhidas para o ritual. De acordo com as crenças incas, elas não morriam, mas se juntavam a seus ancestrais e viravam uma espécie de anjos da guarda de suas vilas natais.

Os corpos eram tão parecidos com crianças dormindo que estudá-los “mais parecia rapto do que trabalho arqueológico”, compara Miremont. A menina mais nova, com seis anos de idade, foi atingida por um relâmpago algum tempo depois de morrer, o que causou queimaduras em seu rosto, corpo e roupas (???). Ela e o menino, de sete anos, tinham crânios levemente alongados, “plástica” feita com panos amarrados à cabeça. É um sinal de status elevado, e talvez até de ligações com a realeza inca.

Testes de DNA revelaram que as crianças não tinham parentesco entre si, e tomografias mostraram que eles tinham recebido boa alimentação e não tinham ferimentos pelo corpo. A Donzela aparentemente sofria de sinusite e de um problema nos pulmões, provavelmente causado por uma infecção.

As montanhas da região de Salta abrigam pelo menos outros 40 enterros rituais com sacrifícios humanos, mas Miremont diz que os indígenas que vivem na área não querem que mais corpos sejam retirados. “Vamos respeitar os desejos deles”, afirma o pesquisador. Para ele, os três corpos foram suficientes para a pesquisa. “Não precisamos abrir outros túmulos”. Fonte: Sobrenatural.org.

Observatório no Chile mostra detalhes de nebulosa em forma de morcego

O brilho das estrelas jovens da NGC 1788 parece um morcego de asas abertas

Os observadores assíduos do céu estão familiarizados com a forma característica da constelação do Orion, o caçador. Mas pouco conheciam sobre a nebulosa NGC 1788, um tesouro escondido apenas a alguns graus de distância das estrelas brilhantes da cintura de Orion. Uma imagem mais detalhada dela acaba de ser divulgada pelo Observatório Europeu do Sul, no Chile.

NGC 1788 é uma nebulosa de reflexão, na qual o gás e poeira dispersam a radiação que vem de um pequeno enxame de estrelas jovens. O brilho toma a forma de um gigantesco morcego de asas abertas.

Nesta imagem são visíveis poucas estrelas pertencentes à nebulosa, uma vez que a maior parte delas se encontra obscurecida por casulos de poeira. A mais proeminente, chamada HD 293815, é visível como a estrela brilhante na parte superior da nuvem, logo acima do centro da imagem e da zona de poeira bastante escura que atravessa toda a nebulosa.

Embora à primeira vista NGC 1788 pareça uma nuvem isolada, observações revelaram que as estrelas brilhantes de grande massa, pertencentes ao vasto conjunto de grupos estelares de Orion, foram decisivas para modelar a nebulosa e estimular a formação de suas estrelas.

Essas estrelas de grande massa são também responsáveis pela ignição do hidrogênio gasoso nas partes da nebulosa que se encontram de frente para Orion, originando a borda vermelha quase vertical que se pode observar na metade esquerda da imagem.

Todas as estrelas desta região são extremamente jovens, com idades médias de apenas um milhão de anos, um mero piscar de olhos quando comparados com os 4.5 mil milhões de anos nosso Sol.

Analisando-as em detalhe, os astrônomos descobriram que estas estrelas “da pré-escola” se separam naturalmente em três classes diferentes: as ligeiramente mais velhas, situadas do lado esquerdo da borda vermelha, as relativamente jovens, à sua direita, e eventualmente as muito jovens, ainda bastante obscurecidas pelos casulos de poeira. Fonte: UOL.

TERREMOTO NO CHILE

Terremoto do Chile mudou eixo da Terra e encurtou o dia

O dia foi reduzido em 1,26 microssegundos, o eixo da Terra se moveu 8 centímetros, e a ilha de Santa Maria, perto de Concepcion, elevou o seu nível em 2 metros.

O terremoto de 8,8 graus no Chile teria mudado o eixo da Terra e reduzido a duração dos dias, segundo a National Aeronautics and Space Administration (NASA), em um artigo publicado na edição eletrônica da revista Business Week.

Segundo Richard Gross, geofísico do laboratório da Nasa em Pasadena, Califórnia, os terremotos podem mover centenas de quilômetros de rocha em vários metros, mudando a distribuição da massa do planeta, o que afeta a rotação. Ele se apoia em um modelo de computador para calcular os efeitos.

“A duração do dia deve ter encurtado 1,26 microssegundos (milionésimos de segundo)”, disse Gross, acrescentando que, o eixo do planeta mudou 8 centímetros.

Segundo Andreas Rietbrock, professor de Ciências da Terra da Universidade de Liverpool, a ilha de Santa Maria, perto de Concepcion, teria aumentado em 2 metros o seu nível, como resultado do terremoto, depois de estudar as zonas afetadas e comparar com os terremotos anteriores. Rietbrock, no entanto, não pôde entrar em contato com os sismólogos chilenos.

Há precedentes em terremotos anteriores: no de 9,1 graus em Sumatra, em 2004, o dia reduziu em 6,8 microssegundos. Estas mudanças acontecem no dia do terremoto e permanecem para sempre. Fonte: Terra Chile.

TERREMOTO NO CHILE

Tremor no Chile foi 900 vezes mais forte que no Haiti

O terremoto que atingiu o Chile neste sábado (27), de 8,8 graus na escala Richter, foi 900 vezes mais forte que o registrado no Haiti, de sete graus, em 12 de janeiro deste ano, segundo estimativa de Jorge Sand, chefe do observatório sismológico da Universidade de Brasília.

A localização do epicentro, termo que determina a localização da intensidade máxima do abalo, e a infraestrutura do Chile foram determinantes para que o número de mortos fosse menos de 0,5% do que o registrado no Haiti. Segundo estimativas do governo do Chile, cerca de 700 pessoas morreram vítimas do terremoto, contra mais de 210 mil no Haiti. Mais informações aqui.

DIRTY THUNDERSTORM

 

Dirty Thunderstorm

 

Raios e erupções vulcânicas

 

 As imagens abaixo, não são de uma tempestade comum. Trata-se de um fenômeno que começou a ser pesquisado a pouco tempo.

 

Estas fotos são provenientes de uma erupção vulcânica, que despeja milhares de toneladas de cinzas, lava derretida, vapor de água e outros vapores a grandes altitudes. Só que com um componente novo.

 

 

São as primeiras imagens provenientes de observações diretas a estes raios captados em meio as erupções, e são consideradas raras, pois nunca haviam sido registradas antes.

 

Os registros mostrados aqui foram feitos na erupção do Vulcão Chaitin no Chile, em maio de 2008. Mas os primeiros estudos começara a ocorrer na erupção do do Monte Augustine, no Alasca em 2006.

 

Pesquisas sugerem que estes raios estão diretamente ligados ao que denominaram “dirty thunderstorm”, em uma tradução livre, algo como tormenta suja. Segundo os autores do estudo, os raios e fagulhas saíam da boca do vulcão em direção ao fluxo piroclástico que acendia, também foram registrados clarões internos à coluna de cinzas provenientes da boca do vulcão e acendendo.

 

As evidências sugerem que a erupção produz um enorme quantidade de carga elétrica, mas ainda não se sabe se ela provém do vulcão ou se é gerada na atmosfera terrestre. Alguns pesquisadores sugerem que a formação destas cargas elétricas são similares às formadas em uma tempestade comum, ou seja, surgidas através da colisão de todo aqueles detritos que estão sendo expelidos pelo vulcão.

 

São imagens assustadoras e magnificas, pois são carregadas de uma grande beleza e ao mesmo tempo demonstram o poder da terra em plena atividade. Fonte: Cub Brasil.

 

Mais informações: National Geographic Society e Vulcanismé (Flickr)