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CULTURA ESPACIAL

ATIVIDADE SOLAR EM BAIXA

Sol em 03/abril/2009

Acima: Essa imagem espelha a situação do Sol em 03 de abril de 2009, 14h24min, capturada pelo Michelson Doppler Imager no observatório solar SOHO. Vemos aqui uma imagem contínua do Sol, sem nenhuma mancha solar. Crédito: SOHO, NASA/ESA

Nada tem acontecido no Sol há algum tempo, pelo menos quando discutimos sobre a presença (ou melhor: ausência) das manchas solares. “Estamos experimentando um mínimo solar muito profundo”, disse o físico solar Dean Pesnell do Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Mariland, EUA.

ANOS COM MENOR NÚMERO DE MANCHAS SOLARES.

Acima: Gráfico com os anos que apresentaram o menor número de manchas solares no último século. As barras verticais deste histograma representam o número de dias por ano em que as manchas solares estiveram ausentes. Crédito: Tony Phillips (www.science.nasa.gov)

Em 2008 não observamos nenhuma mancha solar em 266 dos 366 dias do ano (73%). A contagem das manchas solares em 2009 caiu ainda mais: até 20 de abril de 2009, 97 dos 112 dias apresentaram nenhuma mancha, ou seja, tivemos um índice de inatividade de 88%. Para aqueles que acompanham a atividade solar rotineiramente esse é o Sol mais calmo já visto em quase um século. Mas, o que isso significa para nós?

As manchas solares são ilhas gigantes de intenso magnetismo do tamanho de planetas na superfície do Sol. As manchas solares são causadoras das tempestades solares (solar flares), de emissões de massa coronal (EMC) e pelo incremento na intensidade da emissão da radiação ultravioleta (UV). O Sol tem um ciclo natural com duração média de  11 anos, que pode variar de 9 anos (ciclo #2 – junho de 1766 a junho de 1775) a 12,5 anos (ciclo #14 – fevereiro de 1902 a agosto de 1913). O ciclo solar oscila entre uma atividade intensa, repleta de manchas solares e uma baixa atividade onde as manchas são raras. O astrônomo alemão Heinrich Schwabe descobriu esse comportamento em meados do século XIX. Através da contagem das manchas solares Schwabe observou que os picos de atividade solar eram sempre seguidos de vales com calma relativa – um comportamento periódico, quase um relógio solar, que se mantém em vigor há 200 anos.

O mínimo solar atual é parte desse padrão de comportamento. De fato, ele está acontecendo no momento correto, mas qual será a razão dessa inatividade expressiva?

O observatório solar espacial Ulysses tem revelado uma queda de 20% na pressão provocada pelo vento solar desde meados dos anos 90 – o ponto mais baixo da curva desde que essas medidas começaram a ser tomadas rotineiramente nos anos 60. Convém lembrar que o vento solar ajuda a defender o sistema solar interior (inner solar system) dos perigosos raios cósmicos, que podem causar sérios danos a saúde dos astronautas no espaço. Um vento solar mais fraco, por outro lado, nos beneficia diminuindo drasticamente a freqüência das tempestades geomagnéticas. A redução do vento solar também reduz a aparição das belíssimas auroras polares, para a tristeza dos observadores.

Medidas cuidadosas realizadas pelas sondas que monitoram o Sol também confirmaram que o brilho solar reduziu-se em 0,02% nas freqüências do espectro da luz visível e caiu 6% nas freqüências da radiação ultravioleta (UV) desde o mínimo solar de 1996. Além disso, os radiotelescópios têm registrado que as  emissões de ondas de rádio pelo Sol estão com a mais baixa intensidade desde 1955.

Esses mínimos têm instigado um debate acirrado se o mínimo solar atual é extremo ou apenas uma correção de rumo que será seguida de um máximo solar de intensidade incomum em 3 anos. “Desde que se iniciou a Era Espacial nos anos 50, a atividade solar tinha se mostrado alta em geral”, disse meteorologista solar David Hathaway da NASA’s Marshall Space Flight Center. “Cinco dos dez ciclos solares mais intensos ocorreram nos últimos 50 anos. Nós simplesmente não estamos acostumados com esse tipo de comportamento profundamente calmo do Sol”.

Há 100 anos tivemos um período de calma profunda registrado. Os mínimos solar de 1901 e 1913, por exemplo, foram até mais longos que esse que estamos presenciamos agora. Para que o mínimo solar atual tenha dimensão similar ele terá que prolongar-se pelo menos por mais um ano inteiro.

De certa forma, essa calma incomum é até bastante interessante, conclama Pesnell. “Pela primeira vez na história estamos observando um mínimo solar profundo”. Uma verdadeira frota estelar de sondas investigadoras [que inclui o SOHO (Solar and Heliospheric Observatory), os novos observatórios espaciais gêmeos STEREO (Solar Terrestrial Relations Observatory), as 5 sondas THEMIS, Hinode, ACE, Wind, TRACE, AIM, TIMED, Geotail, Ulysses e outros satélites] está observando o Sol e seus efeitos na Terra 24 horas por dia e 7 dias por semana. Usando uma tecnologia avançada que não existia 100 atrás, os cientistas têm medido detalhadamente os ventos solares, raios cósmicos, radiação solar e seus campos magnéticos. Os cientistas têm considerado esse mínimo solar muito mais interessante que anteriormente se pensava.

Esse comportamento anômalo do Sol nos 50 anos da era espacial foi bastante comentado há alguns meses. Em 01 de outubro de 2008 um artigo na Physorg destacou: “O Sol sem Manchas Solares: o ano mais ‘em branco’ da Era Espacial”. Considerando o cenário atual vemos agora que 2008, com 266 dias ’sem manchas’ foi ainda mais calmo que 1954, três anos antes do lançamento do primeiro satélite, o Sputnik, quando o Sol ficou ‘em branco’ por 241 dias.

As pessoas com interesse genuíno a respeito das ligações entre o comportamento solar e o clima terrestre estão atentas aos fatos uma vez que a maior evidência conhecida de associação entre a falta de manchas solares e o clima terrestre foi o período denominado mínimo de Maunder que coincidiu com a “pequena era-do-gelo” no século XVIII.

Não resta dúvida que em breve teremos mais informações indicadoras sobre a influência do Sol no clima da Terra. Fonte: Eternos Aprendizes

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