Rover da Nasa fica mais esperto à medida que envelhece
O rover Opportunity da NASA, agora no seu 7.º ano em Marte, tem uma nova capacidade: a de tomar as suas próprias decisões acerca de observações novas e adicionais de rochas que avista ao chegar a um novo local.
O software, enviado este Inverno, é o exemplo mais recente da NASA em aproveitar a imprevista longevidade dos rovers gémeos para testes reais de condução marciana, tendo por base avanços feitos em autonomia robótica para missões futuras.
Agora, o computador do Opportunity pode examinar imagens que captura com a sua câmara de ângulo-largo, e reconhecer rochas que encaixam em critérios específicos, tais como formas redondas ou cores claras. Pode então centrar a sua câmara panorâmica de ângulo mais estreito no alvo escolhido e tirar múltiplas imagens com vários filtros.

Acima: O rover Opportunity tirou esta imagem em preparação para a primeira selecção autónoma de um alvo para observação futura. Crédito: NASA/JPL-Caltech.
“É uma maneira de obtermos mais dados científicos”, afirma Tara Estlin do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. Ela pertence à equipa que conduz os rovers, é membro sénior do Grupo de Inteligência Artifical do JPL e líder do desenvolvimento deste novo sistema de software.
O novo sistema é denominado AEGIS (Autonomous Exploration for Gathering Increased Science). Sem ele, as observações conseguintes estavam dependentes do envio das primeiras imagens para a Terra, para serem analisadas pelos operadores em busca de alvos interessantes nos dias seguintes. Por causa dos limites temporais e do volume de dados, a equipa pode escolher conduzir o rover novamente, antes que alvos potenciais sejam identificados ou antes de examinar alvos que não são da mais alta prioridade.
As primeiras imagens obtidas por um rover marciano, que escolheu o seu próprio alvo, mostram uma rocha com o tamanho de uma bola de rugby, com uma cor bronzeada e texturas sedimentares. Parece ser uma das rochas expelidas para a superfície quando um impacto cria uma cratera. O Opportunity apontou a sua câmara panorâmica para esta rocha após analisar uma foto de maior-ângulo obtida pela câmara de navegação do rover no final de uma condução a 4 de Março. O Opportunity decidiu que esta rocha em particular, era a que melhor preenchia os critérios indicados pelos cientistas de entre as mais de 50 avistadas na foto: grande e escura.

Acima: Imagens obtidas através de três dos filtros no novo programa informático do Opportunity são combinadas para pintar esta imagem aproximadamente em cores reais da rocha, com o tamanho de uma bola de rugby. Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Cornell.
“Descobriu exactamente o alvo que queríamos”, afirma Estlin. “Esta selecção correu exactamente como tínhamos planeado, graças ao trabalho de muita gente, mas ainda é para nós surpreendente o modo como o Opportunity realizou uma nova actividade autónoma após mais de 6 anos em Marte”.
O Opportunity pode usar o novo programa informático em locais de paragem ao longo de um único dia de movimento ou no final da condução diária. Isto permite-lhe identificar e examinar alvos de interesse que ao invés poderiam ser negligenciados.
“Gastámos anos a desenvolver esta capacidade em rovers de pesquisa cá na Terra”, afirma Estlin. “Há seis anos atrás, nunca pensámos que a poderíamos usar no Opportunity”.
Os investigadores antecipam que o programa informático seja útil para instrumentos com campo de visão mais estreito em rovers futuros.
Outras actualizações do software do Opportunity e do seu gémeo, Spirit, têm sido implementadas desde o seu primeiro ano em Marte. Estas incluem a escolha de um caminho que contorna obstáculos e o cálculo da distância que o braço do rover tem que percorrer até tocar numa determinada rocha. Em 2007, ambos os rovers receberam a capacidade de examinar imagens do céu para determinar o que é nuvens e o que é diabos marcianos, e depois transmitir apenas as imagens seleccionadas. Esta actualização mais recente dá outro passo em frente, permitindo com que o Opportunity seja capaz de tomar decisões acerca de novas observações.
O software AEGIS permite aos cientistas mudar os critérios usados para a escolha de alvos potenciais. Em alguns ambientes, rochas escuras e angulares podem ser alvos de maior prioridade do que rochas claras e arredondadas, por exemplo. Fonte: Astronomia Online.




No dia 7 de março, um satélite que voa ao redor de Marte flagrou um lado pouco conhecido de uma das duas luas do planeta, Fobos. Ela é rochosa e, pelo menos no lado fotografado, nem um pouco uniforme. Como a nossa lua, Fobos está virada sempre para o mesmo lado, por isso só algum veículo fora da órbita de Marte consegueria ver tal lado fotografado. A nave Mars Express, da Agência Espacial Europeia, fez exatamente isso. A foto foi tirada em altíssima resolução e só foi publicada agora.



O buraco tem entre 36 e 46 km de largura e, segundo o grupo de cientistas italianos que tem se dedicado a estuda-la, foi causada quase certamente, pelo impacto de um grande asteróide ou cometa a aproximadamente 145 milhões de anos atrás. 